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Ipea: Informais foram os mais afetados pela crise; militares receberam 98% da renda habitual

Por Dulcineia Vitor em 02/07/2020 às 15:44:26

Apesar de ter impactado os ganhos de praticamente todos os trabalhadores, a pandemia do novo coronavírus atingiu em especial quem trabalha na informalidade. Em maio, esse grupo recebeu em média 60% do que era esperado. A informação é da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) Covid-19 de maio, que teve os microdados divulgados nesta quinta-feira (2) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Os resultados também indicam que empregadores tiveram queda brusca nos rendimentos devido às regras de isolamento social. Em contrapartida, servidores do setor público e militares praticamente não viram os rendimentos serem afetados pela pandemia.

Segundo o instituto, o rendimento médio recebido pelos trabalhadores foi de R$ 1,9 mil, o que representa 82% do habitual (R$ 2,3 mil). Ao abrir os dados, contudo, é possível perceber que o impacto foi bem diferente entre os diferentes setores.

"Os trabalhadores por conta própria receberam efetivamente apenas 60% do que habitualmente recebiam, tendo seus rendimentos efetivos médios alcançado apenas R$ 1,09 mil. Já os trabalhadores do setor privado sem carteira assinada receberam efetivamente 76% do habitual. Os empregadores também foram severamente atingidos, tendo recebido 69% do habitual, mas apresentando ainda um rendimento médio acima de R$ 4 mil", diz trecho do relatório do Ipea.

O estudo também aponta que trabalhadores do setor privado foram menos afetados. "Trabalhadores do setor privado com carteira receberam em média 92% do habitual, e os do setor público contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), 96%. Entre militares e estatutários, a renda efetiva alcançou 98% da renda habitual, e mesmo entre os trabalhadores informais do setor público a renda efetiva foi 91% da habitual", analisa o Ipea.

Auxílio emergencial

O relatório do Ipea também apontou para a importância do Auxílio Emergencial (AE) pago pelo governo federal, que deverá ser prorrogado por mais dois meses. Segundo o instituto, moradores de 5,2% dos domicílios brasileiros (cerca de 3,5 milhões) sobreviveram apenas com os rendimentos recebidos pelo auxílio. Em termos gerais, o benefício permitiu que a renda domiciliar alcançasse 95% do que seria caso houvesse recebido rendimentos do trabalho habituais.

"Esse impacto foi maior entre os domicílios de renda baixa, onde, após o AE, os rendimentos atingiram 103% do que seriam com as rendas habituais. Os microdados da Pnad Covid-19 nos permitem avaliar se o AE foi suficiente para compensar 67% da perda da massa salarial entre os que permaneceram ocupados. Além disso, considerando a perda da massa salarial com a queda da população ocupada observada na PNAD Contínua, pode-se estimar que o AE foi capaz de compensar cerca de 45% do impacto total da pandemia sobre a massa salarial", conclui o Ipea.

*Com Estadão Conteúdo

Fonte: JP

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